30.3.08

Deixa pra quem sabe

"O poeta é aquele que tira de onde não tem e bota onde não cabe." (Pinto de Monteiro)


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11:39 AM




27.1.08

Descarado

Antes, Janine só o conhecia de vista, vendo-o pela televisão, como quase todo mundo. Deputado não é do tipo de pessoa das mais acessíveis. No dia que ela o viu através do vidro do laboratório, entrando na loja para pegar umas fotos que mandara revelar, não conteve o sobressalto. Aquele rosto respeitável, de representante do povo, não condizia com o do libertino, cujas estripulias estavam bem registradas nas fotos que acabava de pegar. E naturalmente, a mulher que posava com ele entre lençóis ou dentro de banheiras não era a sua esposa oficial. Após pegar as fotos e pagá-las, ele deu uma olhadinha em volta, perscrutando rapidamente os olhos os funcionários por trás do balcão, como quem diz ninguém viu nada, ninguém sabe de nada.

Dali em diante virou hábito. O deputado passara a revelar os retratos dos adultérios sempre naquele laboratório. Pela TV, Janine via aquele homem dando entrevistas bem empostadas, e pouco depois estava lá ele, estampado de quatro e máscara num maço de novas fotos. Tamanho o costume, o deputado começou a criar intimidade com as atendentes da loja. A coisa atingiu tal ponto que o deputado chegou a convidar todos os funcionários da loja para o aniversário de um filho seu, em retribuição aos ótimos serviços prestados ao Estado.

Janine foi meio a contragosto. Só lá teve a certeza de que não deveria ter ido. Sentiu algo parecido com nojo quando reconheceu no salão muitas das que estiveram em fotos com o deputado, agora sentadas naquelas mesas distintas, com caras de princesinhas diante dos fotógrafos e cinegrafistas. Janine bocejava quando o deputado surgiu próximo a sua mesa, em meio a um alvoroço de flashes e holofotes, e cumprimentou cada uma de suas colegas. Ao lhe cumprimentar, deixou um papelzinho em sua mão.

Demorou, mas ele conseguira de novo. Depois da propaganda e do cortejo, foi exatamente como planejara. Alguma daquelas morderia a isca, e foi o que aconteceu. No sábado seguinte, Janine caía na cama daquele motel já bastante conhecido das fotos e, com o indicador adornado com um brilhante, fazia um sinal de negativo para o deputado. Só não revele lá, ok?, disse ela, sem saber que ele já tinha outro lugar em mente.


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3:47 AM




12.1.08

O peso da dádiva

Ninguém conseguia mentir para ela. Nem em casa, nem no colégio, nas brincadeiras, nunca. Até aquela data, ela só ouvira verdades, algo bom se entre elas houvesse sequer uma palavra de carinho, ou de uma consideração maior. Pelo contrário. Ou era o silêncio - acompanhado por um olhar engasgado - ou era a verdade cristalina, fosse qual fosse, e até gostaria de algumas vezes ter ouvido uma mentira, dessas que enfeitam tudo, embora elas nunca viessem. Assim, preferia pensar que, apesar de não expressarem afeição por ela, pelo menos agiam com sinceridade. Mas um dia, alguém lhe disse algo que nunca mais voltaria a ouvir, algo tão sincero e verdadeiro quanto o que todos sempre lhe disseram, com a diferença de que era bem mais do que tudo que esperava ouvir. Foi um “eu te amo”, dito por uma prima de seu pai, Marcela, que havia ido passar uns tempos em sua casa.

Na hora ela não entendeu bem, só achou divertido. Ria das escapadelas, dos encontros às escondidas, dos beijos apressados, até que um dia compreendeu o caráter clandestino daquela relação, e chorou com o medo do futuro. Naquele mês, Marcela deixara de ser uma hóspede para ser a sua maior e grande razão de felicidade.

Na frente dos outros agiam como grandes amigas, dessas de andarem grudadas e dormirem juntas. Mesmo depois de tomadas por ânsias quase convulsas, as duas continuaram fazendo as mesmas coisas de antes, andando juntas, às vezes até de braço dado. Mas tanta naturalidade acabou culminando com o deslize fatal que pôs tudo a perder. Um dia, no meio da feira, as duas se beijaram, um beijo inocente, até meio trivial, quase um mero tocar de lábios, o que não lhes livrou do escândalo.

Na manhã seguinte, enquanto Marcela partia numa carroça para casa de um outro primo, ela se debatia de desespero nos braços do pai. Depois de alguns anos mortificada com a perda, ela sumiria para sempre daquela cidade, e para quase todo mundo ela tinha ido atrás do seu amor de devassidão. Na verdade, nunca se reencontraram. Ela tinha mesmo ido era viver exilada de todos, enclausurada numa vida de distância e silêncio. Só ouvir verdades era algo doloroso demais.


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1:22 AM




18.12.07

Apólice

Nem sei se devias saber
Que ando por aí dizendo
O teu nome, sem querer.

Até te chamo
Sem ter nem pra quê

E te vejo onde ninguém mais vê
E te espero sem ter combinado nada
E nas horas mais inapropriadas
Começo a rir, descontroladamente

Aparentemente, sem motivo
Ou pelo gosto de se sentir vivo
Coisa que eu tinha esquecido
Ou nem lembrava de ter sentido.

Tantas noites, desolado
Foi em vão, e eu sem saber
Que o que era meu estava guardado.


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1:25 PM




23.11.07

O crime

Maria Cristina já levava uma vida normal até o dia em que ficou diante do homem que lhe torturou e lhe estuprou, anos antes. Ela havia se mudado há pouco tempo para aquela rua, e Cecília foi uma das primeiras pessoas com quem conversou. Logo se deram bem, viraram amigas, e na primeira vez que Maria Cristina foi em sua casa, deu de cara com aquele senhor sonolento na poltrona. Era o Ex-tenente Trajano, pai de Cecília.

Em 1974, numa daquelas passeatas frustradas, o exército prendeu 15 estudantes e os conduziu ao batalhão. Lá, separaram os homens das mulheres e aí começou o inferno. Antes dos interrogatórios intermináveis e das sessões de tortura, algumas daquelas moças foram apresentadas à face mais cruel do então Tenente Trajano. Poderia passar mil anos, com todas as rugas que pudesse ter, e todos aqueles cabelos brancos, mas Maria Cristina o reconheceria de qualquer forma. Ainda mais com aquele sinal enorme embaixo do olho, ela não tinha dúvidas quanto a sua identidade.

Cecília explicou que seu pai não era mais o mesmo. Não falava mais e passava a maior parte do tempo sentado naquela poltrona. Um dia, Cristina foi na casa de Cecília lhe entregar umas revistas e encontrou a porta só encostada. Não havia ninguém em casa, a não ser o velho sorumbático na sala. Naquele momento, sentiu o peso daqueles dias. Não era fácil conviver e transitar próximo a pessoa que mais odiara na vida, a pessoa que quase lhe destruira por completo, que lhe impediu de ter filhos, de andar normalmente, sem contar as noites sem sossego e os incontáveis traumas que carregava até hoje. Ao ficar mais uma vez frente a frente com aquele homem, Cristina lembrou como é se sentir completamente suja por dentro e por fora, e quando viu, já tinha fechado todas as janelas e aberto uma das bocas do fogão.

A Polícia concluiu que alguém deve ter esquecido aquela boca aberta e deu o caso por encerrado. Mas foi no velório que Maria Cristina viu que o seu crime não foi perfeito, e quase caiu para trás quando o Ex-tenente Trajano chegou fardado para o último adeus ao seu irmão gêmeo.


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11:47 AM




2.11.07

Quatro andares

Pela segunda vez naquele dia, Angelita acordava após ver o mundo desvanecer-se debaixo dos pés. Voltava a si e via que não estava em casa, pelo jeito era um hospital ou um posto de saúde. Ao seu lado estava Abílio, porteiro do seu prédio e talvez o único homem que lhe amaria na vida. Mas ela jamais chegaria a saber disto, simplesmente porquê que não reparava mais em homem nenhum, e muito menos num tipo como Abílio. Angelita tinha desistido de procurar amores. Seus pretendentes sempre fugiam quando a viam cair se contorcendo, revirando os olhos, e colocando aquela baba pela boca. Naquele dia ela conferia a caixa de correio quando caiu tomada pelas descargas súbitas. Abílio, sem saber o que fazer, chamou a ambulância achando que aquilo fosse um enfarto. Quando chegaram ao posto de saúde, a médica lhe explicou tudo, e os dois voltaram a pé para o prédio, meia hora depois.

A cada quarteirão, Angelita tornava a agradecer com a voz trêmula, em parte pela raiva de si, em parte pelo temor de uma nova crise, pois ela só receberia o ordenado na semana seguinte, e até lá não teria como comprar os remédios pra cabeça. E Abílio ao seu lado só ouvia, confrangido, emocionado, era a primeira vez em três anos que ela lhe dirigia a palavra. Chegaram e, sem se despedirem, cada foi para o seu canto naquele prédio quase deserto. Angelita não sabia, mas era a única moradora do edifício, fora o próprio Abílio, que era só o porteiro, e se aprontava todas as manhãs para vê-la passar pelo saguão quando ia para o trabalho.

Mais tarde, Angelita em sua poltrona pensava mais uma vez se sua vida teria um sabor muito diferente se tivesse alguém para lhe ouvir, ou para rir com ela de algum filme do Jerry Lewis, ou para jogar pedras no laguinho da praça. Mas não, deixa pra lá, não estava mais em tempo para aquilo. Sua vida estava muito boa como estava, tinha sua casa, sua madrinha para visitar aos sábados, e as suas segundas-feiras para esperar. Temia mesmo qualquer coisa que pudesse afetar a organização de suas coisas e horários, isso poderia mudar seus hábitos, idéia intolerável, um horror. E ainda tinha a doença, que lhe fez entender que era uma pessoa defeituosa para a vida, livre da obrigação de ser feliz maritalmente. Enquanto isso, lá na portaria, Abílio via na televisãozinha preto e branco uma novela cheia de eu te amos, e pensava se algum dia, alguém, ou até mesmo Angelita, lhe diria um daqueles, mesmo de brincadeira, mesmo ligeiro, mesmo sem querer muito. Mas não lhe diriam, nunca, quem ele pensa que é para ser amado?, acorda, Abílio, amor é luxo, é coisa de gente que obtura dentes, que vai a rodízio de pizza, ao cinema, que só usa roupa passada e com cheiro de amaciante. Melhor ir colocar o relógio para despertar às quatro e meia pra poder se arrumar a tempo de ver Angelita passar.


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2:07 AM




11.10.07

A verdade

Era ginecologista. Até hoje, quase dez anos depois, não sabia como tinha se tornado o que era. Pouco antes de se ver com o diploma na mão, jamais sentiu que tinha vocação ou dom para cuidar de partes tão complexas e melindrosas do corpo feminino – e logo do feminino. O certo é que nunca teve nenhum tipo de atração especial ou curiosidade pelas áreas em questão. Gostava das mulheres, quase as venerava. Mas nada de virem de pernas abertas, com aquele desvão misterioso, sem fundo e sem começo, apontado em mira pronto para lhe engolir.

Vai ver foi por isso que deu certo. Antes de entrar na faculdade, a visão de um púbis desnudo lhe provocava tanta emoção quanto a de uma orelha ou um cotovelo, ou seja, nenhuma. Nem a visão, nem o cheiro, nem o gosto, nem o sexo, nada chegava a lhe empolgar. Era tudo sempre chato, cansativo e demorado. Sim, as moças eram diferentes, gordinhas, esguias, virgens, ruivas, peludas, rodadas, mas no fim dava sempre na mesma. Ouviu falar com excitação que o órgão das japonesas era na horizontal, o que infelizmente nunca pôde comprovar. Pelo menos todas as que chegou a ver na adolescência tinham feições que variavam pouco, mas era lógica de funcionamento, o metiér, idêntico e enfadonho, que mais lhe entediava nisso tudo. Era como um carro ou uma tevê, tanto faz a marca, liga do mesmo jeito.

Essa opinião não mudou muito depois dos dez anos de prática ginecológica. E a quantas já não teve acesso, dentro e fora do consultório, a trabalho ou por lazer? Não importa, achava sempre tedioso, era como um déjà vu que não acabava nunca. Por isso preferia conversar horas esquecidas com as mulheres. Sentia que ganhava mais assim, vendo elas falarem ao invés de gemerem. E conversava bastante, inclusive com as suas pacientes. Não tinha como elas se sentirem constrangidas diante de um homem que, enquanto lhes examinava, parecia estar aguando as plantas ou amarrando os sapatos. Na verdade, tudo isso nem era tão de se estranhar se comparado a sua tara mais recôndita, que tinha a ver com lenços, encharpes e pescoços de adolescentes.


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1:32 AM




14.9.07

De como se faz um navio fantasma

No cais, não houve o festival de acenos avulsos, nem papel picado, nem lágrimas, nem banda tocando, nada. Apenas o vento batendo nas tábuas cheias de limo, um céu sem brilho nem cor, e um homem que via do píer o navio se afastar do continente. A despeito da chuva que já principiava, o homem permanecia estático, queria guardar a visão do navio partindo para sempre. O navio ia, mas ia numa vagareza que chegava a incomodar o homem, era uma expectativa ao contrário, o navio insistia em não sumir na paisagem, parecia que não saía do lugar, relutando contra pressão em suas velas. Mas para o alívio do homem, e depois de todos naquela cidade, o navio já estava um pouco menor, e começava a pegar as correntes robustas, tomando a sua rota de esquecimento. Ia sem mapas, bússolas ou cartas. Ia trôpego, vacilante, cortando ondas esquálidas, com os porões atulhados com todos os tuberculosos do país para uma viagem sem chegada, sem coordenada e sem destino. Através das vagas, a nau vagaria, e assim continuaria, após o último deles morrer.


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1:56 AM




1.9.07

Em Campina Grande, o pessoal quer ver o Satanás e não quer ver um dos seus supostos adoradores, conhecidos por lá como "roqueiros".

Contrariando a todos os prognósticos, existe gente que curte Rock na cidade do Maior São João do Mundo. Se isso não significa lá muita coisa em lugares ditos desenvolvidos, como São Paulo e Belo Horizonte, que dirá num lugar que só possui três estações de rádio, sendo duas delas idênticas?

O Rock e seus cultuadores sempre tiveram uma vocação pra marginalidade, até encarnaram o espírito da contra-cultura numa certa época. Mas em Campina Grande, isso é elevado ao cubo. Tem algo de Ku Klux Clan, sociedade secreta, máfias, um tipo de "ocultismo". A gente sabe que isso de se colocar a parte também se deve eles, aos próprios "roqueiros", é a coisa do grupo, de se agregarem para se sentirem melhores que demais, etc, etc. Mas não é só isso.

A figura do "roqueiro" em Campina causa no cidadão médio uma mistura de medo e raiva. A simples presença de um deles, a mera visão, já gera um incomodo quase incontrolável. Uns sentem nojo, outros vontade de rir, escarnecem, como que de uma sub-raça acéfala, capaz apenas de bater cabeça e cantar coisas em línguas ininteligíveis. Mas pudera, a imagem cunhada (de novo, pelos próprios "roqueiros") é daquela figura toda de preto (a despeito do clima), cabelo grande (irresponsáveis?), e um ar meio arisco, meio abobalhado. Daí a lhes associarem a tudo o que não presta.

Não por acaso, o estilo mais popular entre o público roqueiro de Campina é o METAL, e os seus ouvintes fazem o possível para ter um visual em sintonia com este som. Pelo menos a maioria é assim, deixando por onde passa um rastro de narizes torcidos. Os caras do Kiss ou o Marylin Manson se comoveriam com forma como que a Atitude Rock'n' Roll é exercida em Campina. Lá tem que ter "colhões" pra botar a cara na rua, é um dos poucos lugares do mundo em que o conceito de true é entendido na prática. Em volta disso tudo, há uma sensação de um verdadeiro apartheid cultural, uma ditadura da monocultura. Mas deixa quieto. Se lá músicas com versos como "Vá pra porra/ Sua cachorra" ou "Vamos fazer bebê agora/ Quer beber?" são o parâmetro de gosto, então não é bom nem discutir...


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2:07 PM




20.8.07

A sorte de Mercedes

Depois de matar o marido por quem largara tudo, Mercedes teve a impressão de que o estampido ainda continuou ecoando, e ecoaria para sempre nas fendas daqueles maciços. Aquele eco ficaria impresso na paisagem, como lembrança de um ódio bem destilado, ou de uma vida mal resolvida, o que acabava dando no mesmo.

Corriam os anos da guerra. Numa cidade próxima ao foco da insurreição, o governo reunia suas tropas para o próximo e quem sabe último ataque. Os soldados não conheciam bem o lugar, mas se animavam com a possibilidade de virarem heróis. Todos menos o Cabo Epitácio, que agora estava mais preocupado com a menina que conhecera quando descarregava o armamento.

O ataque ocorreria em uma semana, mas antes disso Epitácio e a sua menina já tinham se entregado aos clamores do amor, decidiram fugir de tudo, do mundo se possível, para longe da guerra e para si mesmos. E assim Epitácio desertou sem uma explicação formal, sumiu dentro da noite baixa, levando apenas a sua menina pela mão. Ela também desertava. Havia sido plantada ali para se inteirar das estratégias do exército, a mando do próprio pai, um dos lideres do movimento, e agora, esquecida da missão, um homem decidia o seu destino pela segunda vez.

Naturalmente acabou não ajudando em nada. O exército do governo sufocara o movimento e a revolta acabou como o planejado. Anos depois eles souberam do fim da guerra. Para Mercedes, saber que o pai pôde ter sido fuzilado não foi nenhum consolo. Nada mais a consolaria de ter posto a própria vida nas mãos de outra pessoa, por duas vezes, e isso era de uma indignidade que lhe tirava o sono. Inquietava a idéia de ser frustrada com uma vida que ela não tinha escolhido. Acabou que numa dessas noites de vertigem, ela confundiu o marido com o pai e lhe meteu um tiro no rosto. No fim foi até bom. A nobreza e a doçura de Epitácio só aumentavam o seu asco por si mesma. Não suportava mais viver com tanto amor.


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3:39 AM




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