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18.4.06
Ficha de cadastro
O meu nome se perdeu nos soluços dela, estraçalhado antes de chegar aos seu lábios. Então com a voz foi-se o nome, e eu nunca mais pude atender direito a quem me chamou depois. Minha identidade era ela, e hoje já não sou idêntico a ninguém. Meu sexo hoje é pago e mal feito. Meu estado civil é saudade, é vontade de extirpar aquele choro velho que ficou decantado em algum lugar em mim. A idade é a mesma da daquele dia, porque a idade pára quando acaba a vida. Também continuo no mesmo endereço incerto das minhas andanças sem chão. Meus telefones ficaram mudos de vez. Minha profissão é empurrar toneladas de horas pra que venha logo a noite seguinte e eu possa brincar de dormir e querer não sonhar. E por fim, encontro o X que marca o lugar numa linha tracejada onde deixo cair a lágrima que me turvava a visão. Deixa assim, vale como assinatura...
Esse passou às 1:30 AM
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