postado por: LUÍS SILVA 1:29 AM
23.11.03
Não sei o que postar hoje. Para não quebrar a periodicidade, aqui vai uma coisa que escrevi esses dias...
Mar, incerteza
Solidão na ilha
É exílio se afogar
Siga a correnteza
Aponte a quilha
Tente não naufragar
Vela erguida
Noite escura
Sou teu sol
À deriva
estás segura:
Sou teu farol
Ensolarado e terno,
vens de longe
e toca o cais
Expurga o inverno,
e fica onde
ninguém vai
postado por: LUÍS SILVA 1:05 AM
22.11.03
Hoje eu publicaria o terceiro e último episódio da série iniciada há dois posts atrás. Mas, devido a bizarrice de um fato por mim vivido no dia de ontem, excepcionalmente o episódio será cancelado em prol de um post bem mais "peculiar"...
Trancados!
No calor das discussões ficou acertado que na segunda a aula seria numa sala e na sexta, em outra. Ontem foi dia de aula e como combinado, o pessoal foi para sala indicada. Meia hora depois do início da aula, a professora ainda não havia chegado. De repente um funcionário chega à porta:
- A aula de Antropologia agora vai ser no Departamento de Musica, na sala 4. A professora já está lá.
E lá fomos nós, cerca de sete, oito alunos. Realmente a professora estava lá na nova sala, e entre lamentações acerca da desorganização instalada no centro e a quantidade inscipiente de alunos que pode causar o cancelamento da cadeira, a aula começou sem demais tensões.
Oito e quarenta e cinco. A professora termina de fazer a chamada e todos saem, naturalmente. Um dos que havia saído da sala primeiro percebeu ao chegar no portão do departamento que estávamos trancados. Sim, estávamos trancafiados, trancados sumariamente no Departamento de Musica.
Estranhamente todos tinham um sorriso no rosto. Uns estavam mesmo achando graça da situação, outros já esboçavam um princípio de desespero (inclusive a professora). Dentre nós, um tinha um celular, mas estava descarregado. Outro tinha um cartão telefônico, mas com apenas uma unidade. A professora começou a acenar com o braço estendido pra fora do portão, clamando por qualquer um que pudesse chamar ajuda e abrisse aquele cadeado opressor.
Chegou um vigilante lá prometendo buscar ajuda e mal conseguindo segurar o riso. Até que alguém lembrou de que uma das salas tinha janelas que davam para a rua. Fomos ver se a sala estava aberta, e estava. Daí para abrir a janela e sair foi um "pulo", literalmente.
Inexplicavelmente, todos os que conseguiram pular foram embora e nem olharam para trás, e eu fui um deles. Fui na Praça da Alegria e uns dez minutos após ter saído da sala, quando ia embora, passei na frente do departamento. Vi que não tinha ninguém lá dentro. O cadeado estava trancado, como as janelas utilizadas na "fuga". Como os remanescentes saíram de lá? Será que os mais "cheinhos" também pularam a janela? Será que não foi tudo um sonho?
Me encontrei com a professora no ponto de ônibus. Não tive coragem de perguntar nada disso.
21.11.03
Insistência
"O que você tem? Está tão cabisbaixo...", ao falar isso o odor de ironia exalado por ele fez meus olhos arderem. Ele não podia estar me vencendo denovo. "Está contente agora?", perguntei. Em instantes, ele havia conseguido o que queria - havia me tirado o chão dos pés. Mas uma coisa é certa: ele não me desviaria dos meus propósitos. Pelo menos agora eu sei que posso ser mais forte que ele, e que não importa o que ele faça ou como apareça, farei o possível para deixar tudo como sempre esteve. "Imbecil. Isso é que dar ser sensível demais...", me falou e deu uma gargalhada cínica. Eu ainda acreditarei em tudo. Eu sei o que está guardado para mim, e não vai ser ele que vai me roubar isso.
Ao som de "Dig a Pony", do álbum "Let It Be... Naked" dos Beatles.
postado por: LUÍS SILVA 12:57 AM
20.11.03
Acaso
Caminhava a passos lentos quando alguém me abordou. "Oi, lembra de mim?", falou por entre um sorriso de escárnio. Tremi. Aquele era um velho conhecido meu e sempre que aparecia, era para me causar problemas. Por mais que eu fugisse, ele me circundava, estava sempre à minha espreita de cima dos muros, de atrás dos postes ou pelas esquinas. Tudo o que ele quer é uma brecha para começar a me pregar suas peças. "O que você quer?", perguntei assustado. Ele deu um trago lento no seu cigarro e me encarou com seus olhos cinza-chumbo. "Nada.", respondeu. Fiquei tenso.
Descobri que Alan Moore, um dos maiores escritores de HQS de todos os tempos, e Mickey Mouse, o ratinho camarada, também fizeram aniversário no último dia 18. Neste dia também foi lançado um cd de uma certa banda de Liverpool...
postado por: LUÍS SILVA 12:01 AM
19.11.03
Voz
Indescritível. É algo que não cabe num texto nem numa música. Nem se eu combinasse as mais belas palavras ou as cores mais sublimes, eu conseguiria expressar. É algo que não é possível de ser descrito ou expresso: só sentido.
O que eu posso dizer é que ela me ligou. E desde então o mundo ficou mais colorido.
postado por: LUÍS SILVA 1:44 AM
18.11.03
Hoje eu completo 22 anos (é meu primeiro aniversário que "passo num blog"). Sei que ainda é uma vida curta para eu estar sentindo falta de grandes feitos ou acontecimentos. Realmente ainda não fiz nada de importante e nem sei se vou fazer. Bom, pelo menos eu acredito no "a vida começa aos 40". Até lá, ainda tenho quase 20 anos de lambuja só pra me programar...
Mas eu sei que posso me gabar de uma coisa. Uma grande atitude que tomei, baseado apenas na minha intuição e na minha percepção. O que me envaidece e faz com que eu me sinta bastante sortudo.
Há uma disciplina no curso de jornalismo chamada "Técnicas de Reportagem, Entrevista e Pesquisa no Jornalismo", que é praticamente pré-requisito para o curso inteiro. Ela faz parte do bloco principal das disciplinas obrigatórias, e não há como avançar no fluxograma se por acaso você perder esta cadeira.
Foi o exatamente o que aconteceu comigo: perdi a danada da disciplina. Dentre outras coisas, isso marcaria a minha separação da minha turma original, a do período 99.1.
Era uma turma fantástica. Eu me sentia minúsculo diante de todos aqueles jornalistas natos. Além do fato de serem bastante criativos, competentíssimos, todos tinham um grande caráter. Eu me dava bem com praticamente todos eles, para não dizer com todos. Muitos deles já se formaram. Fico muito feliz quando vejo qualquer um deles hoje em dia.
Chega o período de matrículas. Para a minha felicidade, eu ainda pude me matricular numa optativa junto com o pessoal do 99.1. Mas o fato era que, naturalmente, eu agora seria do 99.2, já que eu havia ficado para trás e a turma do semestre anterior tinha avançado.
No ato da matrícula, lembrei de um dia de manhã que eu estava numa mesa, na Praça da Alegria do CCHLA, conversando com alguns amigos, e, entre eles, estava um pessoal que eu não conhecia, mas que à primeira vista me pareceu bastante simpático (e nada pernóstico).
- Quem é esse povo? - cutuquei um conhecido.
- É o pessoal do 00.1, que entrou agora.
Daquele dia de manhã até a ocasião da matrícula, eu fui capaz de lembrar de vários pequenos encontros em rodas de conversas pelo Decom em que eventualmente estavam algumas pessoas dessa turma. Não lembrei de ter me sentido incomodado ou de não ter ido com a cara de algum deles, pelo contrário. Isso me levou a crer que eu poderia me dar bem com aquele pessoal.
E eu não me matriculei em TREPJ. Não que eu não gostasse do 99.2, mas é que aquele pessoal tinha um "clima" que eu achava que não combinava comigo. Preferi deixar para pagar a tal cadeira novamente só no outro semestre, exatamente com aquele pessoal do 00.1. Com perdão do clichê, uni assim o útil ao agradável: me daria um "descanso" do professor que me reprovou e ainda entraria numa turma legal.
O futuro me provou que esta foi uma das atitudes mais acertadas que já havia tomado na vida. Jamais havia passado pela minha cabeça que eu seria tão bem recebido e que aquelas pessoas fossem tão peculiarmente interessantes. Nunca imaginei que eles me acrescentariam tanto e que se tornariam tão importantes pra mim. Puxa vida... Não queria perder o contato com esse pessoal...
Mamãe chegou ontem de viagem - inteirinha. Me trouxe uma garrafa de vinho lá dos pampas, com uma dedicatória no rótulo personalizado.
postado por: LUÍS SILVA 12:00 AM
17.11.03
POSTemoração
Hoje faz uma semana que comecei esse blog. Uma marca alucinante: um post por dia. Pensei que jamais conseguiria um feito desses. "Será que eu tenho tanto o que falar?", pensava intrigado. É claro, sempre se tem o que falar, mas eu não queria usar um espaço desses para tá falando qualquer bobagem, como diriam os Mutantes.
É muito interessante. De link em link, entre conhecidos e desconhecidos, apareceu por aqui gente até de São Paulo, Belém... Muito bom isso, saber que está sendo lido em outras praças. Mas não vou me estender mais. Finalizarei dizendo que alguém me cobrou um post por dia e eu já vou logo dizendo que não sei até quando manterei este ritmo.
Uma ultima coisa: O Fim dos Dias é muito ruim. Ainda bem que não o vi no cinema. Graças à Deus (sem trocadilhos).
postado por: LUÍS SILVA 1:36 AM
16.11.03
Resumo em A
Amigos
Aniversário
Álcool
Assuntos
Água
Afeto e
distancia
postado por: LUÍS SILVA 3:39 AM
15.11.03
Interbloguicidade
Acho que não é por aí. Em relação aos comentários, não sei ainda a proporção da sua graça em relação a sua afinidade com o post. Só sei que o advento do blog inaugurou uma nova categoria de chat. É conversa que começa nos comentários de um blog, passa pelos comentários de outro, até terminar num terceiro blog. Não ver um determinado comentário num blog qualquer pode comprometer totalmente o rumo de uma conversa que já se desenrolou num outro blog.
E esse negócio tem tomado meu tempo ultimamente. Às vezes fica difícil para acompanhar.
Ainda falando blogs, ontem tive uma idéia enquanto lia o blog de Ailton. Na verdade, se tratou de um desafio que me lancei: fazer uma poesia em 24 horas, seguindo os moldes clássicos de rima, onde eu teria que fugir totalmente do meu estilo de versos brancos e rimas livres. Eis o que saiu:
Instante da Supernova
É felicidade que me pega distraído
E no silêncio, me deixando a vontade
Com um leve suspiro no ouvido
Me envolve, nessa bruma, que me invade
Sobre mim, só um fardo de plumas
Massageia minhas costas cálidas
É delírio, que se adensa em espuma
É champagne, em duas taças pálidas
Estrelas se acendem ao meu lado
Ascendo e me espalho, extasiado
O universo é grande, mas me cabe
Solto e pleno, planando lá no alto
Fecho os olhos num só desejo incauto:
"Oh, Deus, não permita que isso acabe!"
postado por: LUÍS SILVA 1:08 AM
13.11.03
Tragédia em 3 atos
1 - Acordar com dor de cabeça e permanecer com ela por todo o dia.
2 - Te dizerem que sua aula mudou de horário e de sala, e, quando vai assisti-la seguindo as novas coordenadas, você dá de cara com a sala trancada (e vazia).
3 - Passar duas horas esperando para um setor abrir, só para pegar um papel.
Deprimente. Eu e mais três meninas rodando como baratas tontas entre os centros, departamentos e coordenações. Se fosse filme, era um trash: Os caçadores da aula perdida. Preferi não dizer isso na frente delas lá... A boa notícia foi que descobri que um amigo também está matriculado nessa disciplina fantasma. Aê Zelba!
postado por: LUÍS SILVA 11:59 PM
Aproveitando a onda de assuntos sérios nos blogs, aqui vai algo que me "inquietou" ontem. Aviso: é um post dos grandes...
Cruz das Armas. Um dos maiores, mais antigos e mais populosos bairros da cidade. Não é centro (como Jaguaribe, Tambiá ou Torre) nem é subúrbio (como Grotão, Valentina ou Ernani Satyro). Um lugar onde desempregados e pequenos comerciantes convivem com bacharéis de variadas áreas e militares de altas patentes. Este bairro é uma João Pessoa em miniatura.
Aqui, praticamente todos os moradores trabalham com algo relacionado ao comércio, como acontece na cidade inteira. Os que não o fazem, quando não são profissionais liberais, são servidores públicos (municipais, estaduais e federais). Quaisquer dos setores citados se encontram numa situação nada cômoda, como é bem sabido. Tal como a cidade, o bairro de Cruz das Armas tem sua renda proveniente basicamente do funcionalismo público e do comércio, o que acaba comprometendo o desenvolvimento do lugar.
Não é um bairro violento: vem ficando, e num ritmo bastante grave. Com perdão do chavão, a "escalada da violência" começou nos ultimos anos, justamente quando houve um empobrecimento geral e uma queda drástica no poder aquisitivo da população, causado por crises de ordem global. Isso associado à falência dos programas sociais, da educação e das taxas de empregabilidade transformaram a indigência em vocação e o crime em alternativa de vida, fomentando assim a violência (Eu sei, eu sei. É um grande clichê o diz este parágrafo...).
Tudo isso me passou pela cabeça quando numa ida ao banco precisei trocar 20 reais. Tudo o que eu queria eram duas notinhas de dez, só isso. No afã de trocar o dinheiro, fui quase de uma ponta à outra da avenida que dá nome ao bairro, entrando em todo armarinho, padaria, lanchonete, supermercado e depósito de materiais de construção que encontrava. Tudo que ouvia era um sonoro e tristonho "troca não".
Fachadas imponentes de alguns estabelecimentos escondem uma realidade típica de um vendedor de canetas de ponta de esquina, que não tem vinte reais no bolso. E o tal vendedor talvez esteja numa situação até mais razoável, pois não tem contas nem um quadro de funcionários para pagar. "Como é que esse povo sobrevive?", me pergunto sem achar resposta.
Finalmente consegui trocar o dinheiro numa farmácia. Logo aonde...
12.11.03
É muito chato isso. Está tudo bem, não tem nada te preocupando ou incomodando, aí de repente, a rasteira. No meu caso, não há muito o que fazer senão pôr as mãos na cintura e dizer: "putamerda..."
Foi logo na Segunda. Eu saí todo ansioso para o primeiro dia de aula do novo período. Estava esperançoso, mas a ansiedade que comandava. Apesar de já ser quase um veterano na UFPB, havia aquele sentimento de aluno novato no ar: sala nova, turma nova, assuntos novos. Para minha aflição, eu iria chegar atrasado (eu odeio chegar depois. Já perdi muita aula por isso...).
Me atrasei ainda mais por que errei o bloco, mas acabei achando a sala no fim das contas. Para minha surpresa, só haviam umas três moças sentadas e nenhum professor. Sentei-me. Foi só eu me acomodar pra um grupo chegar na porta, e a líder dizer: "A disciplina que ia ser nessa sala foi cancelada. Agora essa sala é nossa".
Fiquei meio lerdo por alguns segundos. Com tantas optativas, eu escolho justo uma que é cancelada. Eu poderia ter escolhido outra, uma disciplina que poderia demandar mais burocracia para eu poder me matricular, mas não. Meu critério foi "eu não quero esquentar a cabeça com isso". Escolhi a que me pareceu ser mais fácil para se matricular (e era mesmo) e agora eu estava lá, boiando.
A tal líder, que parecia ser uma professora, nos recomendou que fossemos falar com o diretor do centro. Fomos lá e felizmente uma das três que estava comigo tomou a frente nas negociações com o diretor, que já nos mandou ir à coordenação que disponibilizou a disciplina. De repente surgiu não sei de onde um cara que também seria da minha turma, e que começou a se lamuriar e falar das dificuldades que a universidade impunha sobre sua vida. Fui solidário com ele, prestando atenção e balançando a cabeça, compreensivo.
Resumo da ópera: a cadeira não havia sido cancelada. Só havia mudado de dia e de horário, e eu acabei perdendo a tarde de dois dias úteis. Logo quando eu pensava ter os dois turnos livres na semana inteira...
postado por: LUÍS SILVA 12:04 AM
11.11.03
Finais e inícios
Depois de uma semana em que o meu já comprometido relógio biológico se perdeu na banca do relojoeiro, a vida dá sinais da sua volta ao normal. Realmente o dia-a-dia (ou noite-a-noite?) do baladeiro não é algo fácil. Refeições tão irregulares quanto os horários dos ônibus da madrugada dão cara de aventura ao período. Fumar passivamente também faz parte do pacote, o que é uma "maravilha" para uma pessoa tão pateticamente alérgica como eu. Mas em resumo, foi uma semana muito boa. Filmes, shows e conhecidos virtuais que não são mais só virtuais entraram pro currículo. Uma gripe quase me tira do páreo, mas nada que uns chazinhos de limão com alho (minha especialidade) e uns comprimidos de Coristina não pudessem amenizar. Enfim, refeito o sistema imunológico, o que vem agora é tentar se orientar por que há um curso a ser terminado. Não que eu esteja mais pra lá do que pra cá - Eu já estou LÁ. Mas que esse Fenarte foi divertido, isso foi...
postado por: LUÍS SILVA 1:13 AM
10.11.03
Talvez você já o conhecesse ou talvez não - o que não fará muita diferença. Dentro do coletivo (re)surge com uma proposta mais "light" do que a pensada outrora. Às vezes a gente demora a se tocar que não é nenhum Luís Fernando Veríssimo ou Arnaldo Jabor para estar escrevendo coisas suficientemente densas todos os dias. Enfim, não é sempre que se pode ter coisas que valham a pena serem lidas, ou pelo menos o mínimo interessantes. Assim sendo, após aparar as arestas pretensiosas, adentro o mundo bloguístico ciente de todos os altos e baixos de criatividade que seu exercicio diário possui. É isso aí.
postado por: LUÍS SILVA 4:38 AM